Resumo
O artigo examina o papel da Inteligência Artificial Generativa na investigação educacional como uma infraestrutura sociomaterial e epistémica inserida nos regimes contemporâneos de poder e produção de conhecimento. Procura ultrapassar as dicotomias tecno-otimistas e tecnocéticas ao conceptualizar a IA como um agenciamento não neutro, moldado pelo capitalismo de plataforma, pelo colonialismo de dados e por dependências infraestruturais. Com base em perspectivas more-than-human, o artigo explora de que modo as interações entre investigadores e sistemas generativos reconfiguram os processos de produção de conhecimento e de agência. Embora a IA possa reforçar formas existentes de controlo epistémico, também pode abrir espaços para a investigação crítica e para a resistência. Para sustentar essas possibilidades, o artigo discute algumas práticas como formas de reconfigurar as relações entre humanos e IA e de evitar a delegação da agência epistémica. Em vez de tratar a IA como um dispositivo para gerar respostas, o artigo propõe compreendê-la como um sparring partner, capaz de suscitar questões, desafiar pressupostos e remodelar a coconstrução do conhecimento. O valor da IA reside, assim, não na substituição do juízo humano, mas na expansão dos espaços dialógicos através dos quais o conhecimento é produzido.

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