Resumo
O cenário educacional atravessa um dos períodos mais controversos em decorrência da Inteligência Artificial (IA). O Sul Global, em particular, enfrenta o dilema de adotar a IA em um contexto marcado por infraestrutura subdesenvolvida, dispendiosa e fragmentada, bem como por uma compreensão limitada sobre a tecnologia. O discurso de eficiência associado à IA na educação nos leva a questionar se o objetivo do ensino é gerar impacto ou eficiência. Defendo que fazer uma pausa para refletir sobre a adoção da IA na educação é fundamental para preservar a dimensão relacional e humana do ensino — aspecto que auxilia estudantes e docentes no desenvolvimento de competências essenciais, como a resolução de problemas, o pensamento crítico e a integridade acadêmica. Este trabalho fundamenta-se na Pedagogia Crítica e na filosofia Ubuntu, levantando questões importantes sobre a finalidade da educação, a agência humana no processo educativo, os riscos éticos e cognitivos da IA, os desequilíbrios de poder entre o Norte Global e o Sul Global e a importância de priorizar e proteger uma aprendizagem relacional, humana e contextualizada. O Ubuntu, enquanto abordagem relacional, pode servir como uma filosofia capaz de promover equidade e humanização, transformando o uso, o desenvolvimento e a contextualização da IA em escala global para preservar a humanidade nos processos de ensino e aprendizagem.

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