Do entusiasmo à recusa: entrelaçamentos afetivos com a IA generativa na pesquisa acadêmica
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Palavras-chave

GenAI; afeto; educação superior; colonialidade; recusa

Como Citar

Peruzzo, F., & Avelar, M. (2026). Do entusiasmo à recusa: entrelaçamentos afetivos com a IA generativa na pesquisa acadêmica . Educação On-Line, 21(49), e2621IA09. https://doi.org/10.36556/eol.v21i49.2154

Resumo

Este artigo examina como pesquisadores acadêmicos interagem com a Inteligência Artificial Generativa (GenAI) a partir de condições afetivas, institucionais e geopolíticas específicas. Com base em um diálogo autoetnográfico entre duas pesquisadoras sediadas no Reino Unido e no Brasil, traçamos uma trajetória afetiva que vai do entusiasmo tecnossolucionista, passando pela desilusão, até chegar a práticas de recusa. Argumentamos que essa trajetória reflete as condições do trabalho acadêmico e a matriz colonial de poder que molda a GenAI. Para analisar essas dinâmicas, combinamos três perspectivas teóricas. Primeiramente, utilizamos a noção de afeto para examinar como intensidades emocionais revelam os sistemas nos quais a IA é vivenciada. Em segundo lugar, a teoria decolonial demonstra como a GenAI reproduz hierarquias epistêmicas ao privilegiar dados do Norte Global, línguas dominantes e estruturas eurocêntricas, gerando efeitos desiguais em diferentes contextos. Em terceiro lugar, o pensamento sobre agenciamentos neo-materiais e o conceito de otimismo cruel explicam como a IA funciona como um objeto de promessa que, simultaneamente, reproduz as pressões performativas que parece aliviar. Nossa análise baseia-se em seis vinhetas da prática cotidiana de pesquisa para ilustrar essas dinâmicas. Concluímos propondo cinco ferramentas conceituais para pesquisadores – afeto, pensamento sobre agenciamentos, otimismo cruel, colonialidade e recusa –, as quais ressignificam a implementação de políticas de IA como um processo afetivo, situado e permeado por relações de poder.

https://doi.org/10.36556/eol.v21i49.2154
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