Resumo
O interesse pela Inteligência Artificial no contexto do ensino superior cresceu exponencialmente, abrangendo desde discursos de promoção entusiástica até aqueles de análise crítica. Este artigo examina o papel da IA Generativa como um participante não neutro na pesquisa em tecnologia educacional. Apresentamos um estudo de caso no qual imaginários sociotécnicos de jovens sobre o papel da IA na educação (n=117) foram analisados primeiramente por pesquisadores humanos e, posteriormente, por um Grande Modelo de Linguagem. Relatamos duas descobertas principais: (1) os participantes vislumbraram um futuro educacional marcado por tensões profundas entre o empoderamento tecnológico e o deslocamento humano; e (2) nossa exploração metodológica revelou que a própria ferramenta de IA Generativa sugeriu caminhos valiosos, mas reproduziu discursos hegemônicos. Incentivamos os pesquisadores a resistir a dicotomias do tipo “bom vs. ruim” em prol de modelos de coengajamento e coapoio mais críticos, que lhes permitam reconhecer os vieses e as limitações da IA, ao mesmo tempo em que se debruçam sobre os insights que ela pode gerar.

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